quinta-feira, 18 de abril de 2013

Redes Sociais ou simplesmente Virtuais?


Cabe uma nota de esclarecimento:
Este post propõe o uso da rede para fins comerciais, não levando em consideração o mero papel das chamadas ‘redes sociais’ de que temos notícia. Isto posto, vamos ao tema:

Olá, pessoa!

Desde os tempos mais primórdios, o ser humano foi adquirindo a capacidade de relacionamento a duras penas. Primeiro se estranhando e posteriormente, vendo no outro um possível parceiro para empreitadas perigosas, muitas delas relacionadas à caça.
Tudo se deu da forma mais rudimentar, quando o homem foi aos poucos perdendo a ideia de que precisava preservar ao máximo seu território, resumido a um pequeno pedaço de terra, uma caverna, quiçá uma companheira e um pouco de fogo.
Com o passar dos tempos, a necessidade de se conseguir algo maior, necessário à sua sobrevivência e sustento da família, fez com que se formassem toscas comunidades, um arremedo do que hoje podemos chamar de cidades.
Essa necessidade de interação fez gradualmente que o ser humano se relacionasse com o seu semelhante e esboçasse uma atividade comercial, antes baseada na troca (escambo) e depois, com a invenção do papel moeda, na movimentação da roda da economia universal.
Os contatos sociais, hoje chamados modernamente de networks, sempre foram importantes, seja para trocar alimentos, encontrar vontades afins para empreender caçadas ou realizar, no futuro, relações comercias e tocar projetos.
Cabe aqui, levarmos em consideração, que nos tempos remotos, tudo era feito na base do olho no olho, ‘no fio do bigode’, no boca-a-boca e, assim, se formaram as verdadeiras redes sociais.
Por quê verdadeiras redes sociais?
Pois era através delas que os relacionamento se realizavam. Que as redes eram instituídas e formadas, mesmo que o homem de então não soubesse classificá-las como tal. Afinal o que era a rede, a não ser a ferramenta para aprisionar o maior número de peixes, garantindo a própria sobrevivência e, quem sabe, virar moeda de troca para outro produto desejado?
Com o passar do tempo, o termo rede passou a denominar também, a quantidade de contatos que temos e, indo além, a nossa capacidade de se formalizar e fortalecer estes contatos.
A tecnologia parece que veio para dar uma mãozinha a toda essa demanda e se criaram as redes sociais.
É aqui que se encontra o cerne desta discussão:
Redes sociais ou redes virtuais?
Quantas vezes adicionamos pessoas que nem fazíamos ideia que existia ou somos adicionados por pessoas que entram em contato num primeiro momento e depois desaparecem?
Qual o propósito de, através do achismo, percebermos aquela pessoa com capacidade suficiente de fazer parte do nosso pseudo círculo de amizades?
O que esperar do outro quando esse outro desconhecido é adicionado?
E assim, as redes sociais se confundiram com redes que nada mais são que virtuais, ou seja, algo que a imaginamos que vá nos trazer resultados satisfatórios, tanto do ponto de vista pessoal quanto do comercial.
Agora, não precisamos mais de cartões, não precisamos mais de exaustivas reuniões para fecharmos negócios ou para conhecer melhor nossos ‘prospects’: é só recorrermos às redes e nossos problemas acabaram!
Tudo foi substituído pelo e-mail (que raramente é lido) e por um perfil numa rede qualquer, mas considerada social, aonde colocamos não o que somos, mas aquilo que, talvez, aspiramos ser.
Um exemplo?
Aquela foto com pose de executivo bem sucedido, cheio de amigos importantes (que muitas vezes ele nem conhece) dizendo-se cheio de compromissos e contratos importantes, que, quando conhecemos o sujeito, a primeira impressão já se desmorona.
Qual a importância de fazermos questão de posar ao lado de figurões que dificilmente nos reconhecerão passado o clique instantâneo ou de dizermos coisas sobre nós que não conseguiremos provar?
É sabido também que muitos negócios são fechados pelas redes sociais, só que não, mas com um detalhe curioso: geralmente, a pessoa entra em contato conosco através de outra pessoa que nos conheceu pessoalmente e não através de sites de busca, embora haja a possibilidade disso acontecer.
Então, como utilizar as redes virtuais a nosso favor?
Uma alternativa é realmente sondarmos os nossos contatos e tentar fortalecer os laços para que o virtual se torne real e verdadeiramente social. Se não, não compensa ostentarmos uma galeria infindável de ‘parceiros de negócio’ que nem sabe que existimos e estão lá apenas para fazer número.
E você?
Tem rede social ou rede virtual?
É isso.

terça-feira, 12 de março de 2013

Escondendo os Bastidores


(nota básica: esta postagem não tem a intenção de  jogar ninguém ‘pra cima’, nem servir como artigo para motivação pessoal ou qualquer presepada que tenha esse fim. Visa apenas e tão somente discutir o porquê algumas pessoas não valorizam o que conseguem e diminuem o valor de suas conquistas em nome de uma ‘falsa modéstia’).

Olá, pessoas!

Ao longo de nossas vivências, vamos percebendo que o ser humano não valoriza como deve as suas conquistas.
Ao conversar com uma pessoa que julgamos ser bem-sucedida e elogiá-la por algum feito, logo vemos que ela muitas vezes não se sente como tal. Seja para não despertar inveja, seja para não alardear os próprios feitos, ela sempre tenta apequenar as razões do elogio.
Para sermos mais diretos, melhor citarmos algumas situações e as desculpas dadas por certas pessoas:
- compra de um carro novo: é sempre precedida de 'Ah! Mas você não viu o tamanho do boleto!';
- promoção no emprego: 'mas o serviço aumentou muito e o chefe não é fácil';
- serviço bem executado: 'é, cara! Mas deu um trabalho danado. Nem sei como consegui';
- voltando de um cruzeiro: ' fiquei enjoado de tanto balançar e não dá nem pra conhecer nada em terra.' Ora! Fosse de jipe!
- uma nova oportunidade de trabalho: 'Nem sei se vou encarar mais essa. Cansa a gente';
- 'Parabéns pela casa nova.': contra-argumento: "É, cara, mas dá um trabaaaalhooo!"
- chegada de um filho: 'Agora que a gente vai ver o que é bom pra tosse'.
Conquistar novas oportunidades, seja no trabalho ou na vida particular, deveria ser motivo de comemoração. Não precisa dar uma festa para cada uma destas conquistas, mas desvalorizá-las se torna até nonsense.
É certo que nos esforçamos muito em busca de um objetivo, que muitas vezes esse esforço não mostra o resultado que esperávamos, mas cada conquista, por menor que seja ou possa parecer, já é um avanço. Tirar-lhe o valor pode fazer com que nos desanimemos para próximas ações e fiquemos apenas na expectativa de algo que nunca vamos alcançar.
Penso que é exatamente deste mal que padece o Cinema Brasileiro: quando acompanhamos algumas produções nacionais – tirando as chatices do denominado sitcom – vemos só sofrimento, só desespero, só agonia. Quando muito, um sorriso amarelo antes de subirem os créditos.
É o cinema mostrado do avesso, do lado mais depreciativo, de uma forma que não encanta e enche os olhos. Ficamos sentados no sofá, apáticos, apenas observando as mazelas dos personagens sofridos em mais uma ação que se revelará desoladora.
Já nos filmes americanos, o sofrimento visa uma atividade-fim e não simplesmente o sofrimento pelo sofrimento.
Steven Spielberg, quando se aventurou a fazer “ A Lista de Schindler “ foi interrogado pelo motivo de o filme ser em preto e branco. O diretor argumentou que 'a vida é colorida, mas a realidade é em preto e branco'. Não obstante a isso, levou o Oscar de melhor filme entre outros e que, apesar de ter as agruras dos judeus como pano de fundo, mostrava o empenho de um empresário de livrar outros seres humanos daquela situação que marcou a História.
Ou seja, não era o bastidor pelo bastidor.
Valorizar aquilo que se alcançou, pode abrir portas para algo maior, quando não precedido de reclamações intermináveis.
É isso.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O óbvio TAMBÉM precisa ser dito


Olá, pessoas!

Como todo blogueiro, costumo ter um caderninho para guardar ideias.
Ah! Os meus colegas publicitários com certeza dirão que ideia não se guarda.
Isto é óbvio: ao utilizarmos uma boa ideia em um projeto (seja ele corporativo ou na vida pessoal) sempre vem outra ideia mais criativa para o próximo projeto e assim sucessivamente. Quando guardamos uma ideia, abortamos a possibilidade de termos uma ideia mais criativa.
Mas, quantas vezes um tema nos assalta e estamos impossibilitados para desenvolvê-lo ou ficamos procurando um argumento que venha endossá-lo?
Daí, a necessidade de termos um lápis e um caderninho de anotações para esperarmos o momento oportuno.
Falando nisso, este título está na fila aguardando há, pelo menos, uns 6 meses. Isso mesmo: 6 meses!
Agora, ele vem a calhar devido ao fato que tomou conta de uma das principais revistas do país: a Exame.
No artigo, consta que a diretora de criatividade da Blackberry (as empresas se utilizam destes artifícios para aproximar a marca do seu target: Will.i.am, Lady Gaga são outros exemplos) a cantora Alicia Keys foi pega enviando mensagens nas redes sociais através de um dispositivo que utiliza o sistema iOS, portanto, do seu maior concorrente.
O curioso é saber que a Blackberry foi líder no segmento smartphone, tendo perdido essa liderança justamente para a Apple, fabricante do iPhone, que utiliza este sistema.
Ao ter a divulgação comentada, a cantora e diretora de criatividade se desculpou dizendo ter tido sua conta no Twitter hackeada.
(não que tenha realmente acontecido, mas também é uma desculpa óbvia).
Levando para o termo corporativo, quantas empresas se esquecem de informar seus colaboradores sobre suas tarefas básicas, achando que eles já saibam o que deve ser feito.
Com isso, grandes lacunas se abrem dentro das organizações que, a exemplo da Blackberry, podem até investir milhões em publicidade mas se esquecem de alertar o seu board sobre questões simples: neste caso, não usar aparelhos do concorrente. Aliás, a primeira medida quando empossou a diretoria de criatividade, deveria ser substituir todos os aparelhos.
A informação deve ser não só controladas, como também discutida nos seus mínimos detalhes, pois eles podem fazer toda a diferença.
Quantos de nós já não vimos um exemplo como este?
Uma empresa contrata um estagiário e o RH não lhe informa que sua tarefa será auxiliar o seu superior imediato. Isto é óbvio. Este, por sua vez, acha que o RH já informou ao estagiário das suas funções e que 'não precisará passar o que deve ser feito'. Óbvio. Como nada foi passado de antemão, o estagiário começa a perambular pelos demais setores com cara de cachorro caído de mudança sem saber o que fazer. O funcionário antigo começa a achar que o estagiário está perambulando por pura vadiagem (óbvio) e, ao invés de informá-lo sobre suas funções, decide ganhar uns pontos com o chefe (óbvio). O chefe pega marcação com o novato (óbvio) e, ao pensar que este foi informado pelo RH (seria óbvio), o demite na primeira oportunidade por não executar sua tarefa (também óbvio). Ao ser demitido, o ex-estagiário leva uma ideia negativa da empresa (óbvio) que até tinha boas intenções com ele (óbvio) mas não soube informá-lo.
Na vida pessoal também é assim: quantas vezes não esquecemos de perguntar e de falar o óbvio?
Vamos ao mercado e, ao comprarmos frios nos esquecemos do pão, e, ao chegar em casa e sermos perguntados sobre a falta do pão, nos defendemos com a pergunta: Mas era pra comprar? Por que você não falou? E recebemos a réplica: Por que você não perguntou?
Nas empresas acontece o mesmo: ao omitirmos o que seria o óbvio, damos razão e força para ambas as partes, mesmo que estas não estejam devidamente certas.
Por que você não falou? Porque você não perguntou.
O óbvio TAMBÉM precisa ser dito, pois nem sempre o outro está pensando o que achamos que ele esteja pensando. Geralmente não está.
No caso da Blacberry, nem a diretora de criatividade estava.
É isso.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Ronaldo na medida certa da especulação do povo

Olá, pessoas!

Há algum tempo a Rede Globo, através do Fantástico, exibiu uma reportagem em vários capítulos com aquele que é considerado o maior goleador de todas as Copas e que por esse feito, desbancou até os mais variados ícones de tempos modernos e remotos.
O tema da reportagem era um desafio: fazer Ronaldo Fenômeno perder alguns quilinhos que tanto o atormentam e à crítica esportiva. Por essa atitude, especula-se que tenha engordado a sua já polpuda conta bancária com módicos 6 milhões de reais.
Tal especulação aguçou a criatividade de seus detratores. Os mais comuns, sugeriam à Vênus Platinada encaminhar a quantia ao “Criança Esperança”, pois, pagar 6 milhões ao Fenômeno era um tremendo desperdício. Além do mais, por que pedir dinheiro para causas consideradas nobres – como o Criança Esperança – e investir dinheiro em causas fúteis, como incentivar um jogador a emagrecer?
O objetivo deste artigo não é realçar as qualidades futebolísticas, envolvimento com campanhas publicitárias milionárias ou causas humanitárias, mas sim, mostrar que qualquer pessoa que esteja em evidência vira alvo fácil da opinião pública, quase sempre disposta a detratar alguém.
Aqui, fica a pergunta: Quem nunca foi criticado por usar ou ostentar algo considerado supérfluo para os demais? Quem nunca ouviu que 'deveria gastar o dinheiro em outra coisa'? Como diria Renato Russo, 'todos tem suas próprias razões'; e estas razões são as mais variadas e incompreensíveis aos olhos de quem não esteja vivendo a mesma situação – seja de repúdio ou consternação.
A história de Ronaldo tem a ver com a busca do novo, do empreendedorismo e, acima de tudo, da capacidade de conseguir explorar todas as nuances e possibilidades de sua carreira. E, diga-se de passagem, isto não é tarefa fácil. Não é raro vermos na crônica esportiva casos e relatos de jogadores que terminam a carreira e não tem mais com o que se manter, ficando à mercê de favores de amigos ou vivendo da caridade da tão 'gentil' opinião pública, que se refestela em papos de futebol e conversas regadas a cerveja e petiscos em rodas de botequim.
Para colocarmos mais um pouco de lenha na fogueira, façamos mais uma reflexão: Quantas pessoas que estão se dizendo preocupadas com esta questão, fazem parte de algum programa que visa acolher crianças desamparadas e reintegrá-las às suas famílias de origem? Será que estas pessoas tão preocupadas com o futuro das criancinhas de programas sociais gostaria de praticar adoção a médio ou longo prazo?
Ronaldo não vive só de mídia.
Em breve, vai lançar sua biografia, com edição limitada, acabamento artesanal e preço em torno de 6 mil reais.
Como se percebe, é um trabalho destinado a poucos, afinal, a história do Fenômeno todo mundo já sabe.
Ou acha que sabe.
É isso.
Uma das imagens disseminadas pela web

sábado, 12 de janeiro de 2013

Esqueceram do Mestre de Cerimônias


Olá, pessoa!

É muito comum num evento, seja ele social ou corporativo, o organizador ter de se lembrar de todos os detalhes, ou de quase todos.
Para que um evento tenha realmente sucesso é necessário não só ser aparentemente bonito. É preciso que ele consiga ser inesquecível.
Pelo menos é isso que a maior parte das agências que trabalham no segmento prometem no seu mote publicitário.
Mas a realidade é bem outra. Falta o item indispensável para que um evento possa realmente transmitir a mensagem proposta quando ele foi pensado.
E é aí que mora a maior lacuna: como falar a linguagem do organizador ou contratante, se não há ninguém que a diga?
Panfletos? Banners? E-mails? Redes sociais? Cochichar a proposta ao pé do ouvido de cada convidado?
Pensa-se em tudo ou em quase.
Se num evento social, tal como formatura, baile de debutantes ou casamento, são necessários local, decoração, quantidade de convidados, cronograma, som, iluminação, num evento corporativo, acrescenta-se o grau de exigência dos convidados representantes dos respectivos setores.
Toda realização e planejamento de um evento demanda um investimento financeiro em todas as suas fases. Sendo assim, a escolha dos profissionais faz toda a diferença. De nada adianta se gastar horrores na organização e planejamento se, na hora H, não tiver quem introduza o espetáculo (que evento não o é?) com mestria e competência.
Parece absurdo mas isso acontece com frequência.
Quantas e quantas vezes não se recebe telefonemas de última hora de organizadores desesperados procurando quem execute este serviço em cima da hora. Pior! Com o argumento de 'não se ter verba'. Ora! Se gasta em todo o processo e na hora mais importante, da execução, não se pode pagar alguém competente para fazê-lo?
Ou seja: pensa-se em tudo, mas não numa das peças principais: o mestre de cerimônias, que é quem vai chamar toda a responsabilidade do evento pra si, coordenar todo o andamento, ditar o compasso e improvisar caso haja falha (e onde não há?) para que o convidado e o anfitrião não fiquem em maus lençóis.
Em casos de eventos sociais, geralmente se coloca um tio, um pai ou um curioso qualquer que 'tenha a voz bonita' – sempre ela – para fazer a lambança. A premissa é sempre a mesma: não há verba para a contratação de um profissional, então, dá-lhe improviso e bem malfeito.
Nas empresas também ocorre o mesmo. Na última hora, alguém se candidata a fazer o serviço – desta vez, por ser desinibido – e o evento, pensado primeiramente para ser um cartão de visita se torna um festival de frivolidades e de gente perdida não vendo a hora que tudo termine.
Quando se contrata um profissional com vivência no meio, o sucesso do evento é garantido. Afinal, mesmo em confraternizações, raramente um evento é analisado (pró e contra) na hora em que acontece, mas sim, no dia seguinte, quando se passou todo o calor da emoção.
Qual a imagem que você quer passar do seu evento?
Se for uma imagem boa, não esqueça de colocar o mestre de cerimônias no seu check list e, principalmente, no seu orçamento.

É isso.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Redes Sociais: Distanciando pela (falsa) Proximidade


Olá, pessoas!

Sou entusiasta da tecnologia, das redes sociais e de tudo que puder facilitar a comunicação. Por outro lado, abomino o seu uso indiscriminado apenas para quem quer passar uma imagem de bonzinho, afinal, ser politicamente correto está mais que na moda e, resumindo, ser falso e prepotente também.
Nas redes, podemos ter vários amigos atrelados ao nosso perfil, lotando nosso perfil, pedindo ingresso em nosso perfil, o que de certa forma, pode nos dar aquela falsa impressão de popularidade.
Ledo engano.
Quando compartilhamos algo nas redes, principalmente no famoso facebook, instantes depois, recebemos vários ‘curtir e compartilhar’, ainda mais quando se trata de algo que não acrescente nada relevante à vida de alguém. Se for trolagem, memes ou notícias sobre futebol então, prepare-se! Você virou celebridade instantânea e será tido como ‘o cara’!
As redes podem gerar negócios e aproximar profissionais de diversos setores, mas é comum, numa reunião presencial agendada através delas, verificarmos uma certa animosidade no tocante a opiniões, atitudes ou posturas.
Sendo assim, melhor continuar no mundo virtual destilando falsidades e demagogias e agradando todo mundo, se passando por bonzinho, do que tentar entender e aceitar o outro como ele é.
É comum fazermos projetos e postarmos nas redes e recebermos um ‘me chama’, ‘é isso aí’, ‘força aí’, ‘sucesso’, ‘conte comigo’ e coisas do tipo.
Animados que ficamos, é claro que na hora da execução dos projetos, vamos fazer valer nossa tão proclamada influência virtual e recorremos ao povo da animação on-line, que posta mensagens positivas, critica o time do outro ou implora pela chegada da sexta-feira. A surpresa é tão acachapante quanto as mensagens de apoio: a sonoridade falsa se reverte na mesma hora e o apoio dado através das redes se transforma num fardo pesadíssimo de se carregar e o resumo é sempre o mesmo: ‘boa sorte’.
E assim, se constroem ‘relacionamentos’ calcados na mediocridade, na falsidade e na linguagem moderninha do politicamente correto.

O ser humano está cada vez mais se tornando uma ilha e se achando conectado, criando uma distância pela (falsa) proximidade. Enquanto isso, a sua capacidade de articulação, de envolvimento com a sociedade vai minguando e ele se sentindo cada vez mais só – daí ir se lamentar, também nas redes sociais.
Não seria a hora de largarmos o clique de sofá e ligarmos para alguém em razão de seu aniversário, visitar um parente, ir ver um bebê de um amigo ao invés ficarmos dando ‘curtir’ nas fotos que acompanham o crescimento da criança?
Distribuir orações e correntes pela web, compartilhar foto de criancinha desaparecida há 18 anos ou publicar fotos de acidentes pedindo ‘paz no trânsito’, não vai nos tornar seres humanos melhores, nem será indicador de nossa preocupação com o próximo. Ao invés disso, nos tornará presunçosos e recalcados ao percebermos que não ajudamos de fato, apenas compilamos algo que foi mal produzido por outrem.
Cases:
As redes sociais, tal qual se tornaram hoje, replicam atitudes do dia a dia, como por exemplo:
A pessoa que está do seu lado e, ao sair, diz ‘um abraço’ e vai embora; é o convite respondido com um vago ‘se der eu passo lá’; é um encontro combinado com o manjado ‘vamos marcar um dia’ quando há a oportunidade de se resolver naquele instante com um simples ‘não’.
Já que o politicamente correto foi deixado de lado nestas linhas, o que dizer daquele que nunca mais viu um amigo ou fez conta dele e, ao saber de sua morte, vai colocar no seu ‘perfil’ um falso: R.I.P. e destila um monte de oração espirituosa em favor dele?
Hipocrisias assim estão à solta por aí, poluindo as redes.
Para exemplificar, encerro com um ocorrido que me fez continuar com fé no ser humano – o de verdade, não o virtual:
Dia desses precisei de um contato numa empresa para a qual já tinha prestado serviço. Era em outro departamento e, como sempre, recorri ao e-mail de um velho amigo que conheci nesta empresa anteriormente. Horas depois, ele me retorna, também por e-mail, dizendo não fazer mais parte do board e que não sabia quem era o responsável pelo departamento a que me referi.
Agradeci, como de praxe, falamos sobre amenidades e desconectamos. No dia seguinte, ao verificar meu e-mail, encontro lá nome e telefone do responsável pelo departamento que havia solicitado. Este meu amigo disse que tinha entrado em contato com a antiga empresa e me recomendado e, consequentemente, conseguido as informações de que eu precisava.
Ao fazer este comentário com minha esposa durante o jantar ela me disse: “É isso que toda pessoa correta deveria fazer, mas, como isto está cada vez mais raro, ao agir desta forma (correta) pessoas se tornam especiais".
Realmente este meu amigo faz parte deste rol cada vez mais reduzido atualmente.
Detalhe: não o conheci curtindo suas trolagens ou compartilhando assuntos irrelevantes. O conheci durante um evento, tomando café e dando um abraço ao final da reunião.

É isso.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Karen Souza: A música em diferentes versões


Olá, pessoas!

Cover, releituras, versões...chamem do que quiser.
A capacidade de interpretação desta americana é incontestável pelo lirismo, leveza e pelas improvisações de vários artistas antigos ou contemporâneos.
Karen Souza.

Influenciada pelos artistas dos anos 60, Karen se aperfeiçoou em várias escolas e vivências, passando por acústicos, música pop eletrônica, até se consagrar fazendo parte de um tributo aos standards.

Karen Souza tem uma voz perfeita e segurança na hora de apresentar seu repertório. Tanta segurança, faz homenagear um de seus ídolos através de seus músicos: ela está à frente do Coultrane Quartet, um grupo compenetrado e coeso nas mais diversas execuções de músicas já consagradas.

Apesar do nome, Karen não é brasileira, mas no seu set não poderia faltar Tom Jobim...

É isso.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

A empresa que eu quero existe?


Olá, pessoas!
É muito comum ao longo destes anos pessoas me procurarem com dúvidas referentes ao mundo das empresas, também chamado de mundo corporativo.
As perguntas vão desde a elaboração do melhor currículo, deixando-o atrativo (o que, para início de conversa, acho completamente desnecessário pois poucos deles são lidos mesmo) até como se posicionar perante o chefe ou líder.
Dúvidas com relação à etiquetas são comuns mas uma delas me chamou atenção pela preocupação em se melhorar o ambiente de trabalho.
A pergunta era a seguinte:
Como eu abordo o meu chefe para dar um diagnóstico da empresa e propor soluções a ele?
À primeira vista é uma pergunta muito subjetiva, pois depende muito do humor de quem vai ouvi-la (o chefe), se a pessoa vai querer ouvi-la (o chefe) e como a pessoa (o chefe) vai interpretar tais diagnóstico e propostas.
Da minha parte, sou especialista em cometer algumas gafes destas: em uma empresa que trabalhei, ao abordar o chefe num momento que achei apropriado (quando ele pediu minha opinião sobre os rumos que a empresa estava tomando) percebi, logo após minha exposição, de que não tinha agradado e que o meu superior não se mostrou satisfeito com o que acabara de ouvir. Passaram-se alguns meses, o relacionamento foi esfriando e a situação acabou se tornando insustentável, pois ficou no ar aquela sensação de que eu não estava satisfeito em trabalhar ali. Não discuto a interpretação dele pois estava absolutamente certa. O desfecho de toda essa situação já está bem patente e não precisarei expô-la para me fazer entender, afinal, a sua interpretação, leitor, também está correta.
As relações corporativas são permeadas por linhas tênues entre o que se deve falar e o que se deve fazer. É sabido que ninguém está absolutamente contente com o local em que trabalha. Muitas vezes somos atraídos para algum lugar por vários motivos: descontentamento com a empresa atual, realização profissional, salário, colegas, amigos e pelo próprio trabalho em si. Afinal, quem não gostaria de fazer o que quer (área de formação), ganhar bem, ter um bom relacionamento e ter participação na organização dos processos, por mais simples que estes possam parecer?
Quem responder que não faz a mínima questão disso, ou está mentindo descaradamente ou não sabe o que fazer da vida e, lembrando o coelho de Lewis Carroll, então qualquer caminho serve. Neste caso, podemos adaptar: qualquer empresa ou emprego servem.
O que nos falta nesta hora é a capacidade de discernir o que são nossas prioridades e o que são as prioridades dos nossos chefes ou patrões. E estes motivos são muito subjetivos.
Existem vários tipos de empregado, mas, no caso que me inspirou a escrever estas linhas, vou citar apenas o empreendedor: este analisa a sua empresa sobre o ponto de vista do mercado, apresentando uma visão holística, panorâmica, 360º (graus) - ou sei lá mais o termo que vão inventar para significar a mesma coisa – e pensam como se a empresa fosse dele. A vontade de organizar, de resolver problemas de diferentes complexidades, acaba minando ao longo do tempo a energia deste empregado empreendedor que vê as coisas a seu modo e quer aumentar a produtividade. Este é um tipo sofredor que muitas vezes 'carrega a empresa nas costas' e acaba fazendo o serviço que seria de competência de outro dentro da organização.
Ao analisarmos esta situação de 'será esta a empresa que eu quero', não se deve esquecer de uma peça importante: o chefe ou patrão. As perguntas sobre prioridades cabem neste caso também, afinal, que chefe ou patrão não gostaria de ter um local aonde todos trabalhassem com um sorriso no rosto e um brilho nos olhos? Por outro lado, será que esta realmente seria a vontade dele?
Muitos trabalham com olho no faturamento e consideram seus colaboradores como engrenagens de uma máquina com moto perpétuo, que só servem para funcionar (eis a razão do termo funcionário), gerar lucros e resultados e ser considerada no mercado.
Por estas razões, difíceis de serem explicadas, é que recomendo que, ao se falar com o chefe e gerar um diagnóstico, é preciso saber se ele:
está disposto a ouvir e aceitar sua opinião;
está querendo o diagnóstico e, principalmente,
se quer mudar a situação do momento por uma situação ideal.
Caso um destes quesitos não possa ser assinalado, com certeza, você terá que sair do seu local de trabalho e tentar a vida com cursos, palestras e consultorias.
E lembre-se: a sua necessidade pode não ser a necessidade da sua empresa.
É isso.




terça-feira, 25 de setembro de 2012

25 de Setembro - Dia do Rádio: Dá pra reinventá-lo?



Olá, pessoas!

Dia 25 de Setembro – Dia do Rádio

Landell ou Marconi.
Quem inventou o rádio?
A resposta, que sempre causou polêmica, não importa.
O que importa é o amor pelo rádio e pelo apreço às palavras soltas no ar que só ele pode proporcionar.
O rádio, que muitos apregoam o fim, resistiu aos avanços da televisão – hoje faz parte dos canais digitais -  e às falácias quando do surgimento da internet – atualmente, as web radios deixaram de ser tendência e são uma realidade. Até os mais modernos gadgets sempre tem lá um aplicativo de rádio para baixarmos!
Neste post, vou compartilhar a minha visão de professor de Comunicação (e o rádio está intrínseco) e de quem vivencia o meio. Nem preciso citar as grandes vozes que fizeram história, pois estas, com o perdão do trocadilho, falam por si só; sem contar os comerciais e jingles que até hoje fazem parte dos arquivos dos historiadores e que servem de bons exemplos em salas de aula.
No Dia do Rádio, nada melhor do que escrever um pouco sobre este veículo que praticamente sobrevive a tantas falsas profecias, que se reinventa e que prima pela convergência de opiniões ou até mesmo pela divergências destas. Quer se expressar da sua forma? Use o rádio.
Essa questão de se poder soltar o verbo no ar, com conhecimento de causa, atinge a milhares de pessoas ao mesmo tempo, mas que muitas vezes não tem recebido a devida importância até mesmo por uma parcela significativa dos próprios radialistas. É comum ver pessoas se apoderarem do rádio para manifestarem suas ideias torpes ou com o intuito de se alienar povos ou manipular situações patentes a olhos nus.
Por sua capacidade imagética, o rádio tem o poder de transferir o seu ouvinte para os mais variados lugares. Pelo fato de a audição ser um sentido invasivo, dificilmente se escapa das palavras que são ditas pelos comunicadores. Daí a grande responsabilidade ao se ir para trás do microfone. Não é simplesmente ‘abrí-lo’ e destilar opiniões às vezes sem fundamento.
O rádio, desde muito tempo, cumpre e ainda deve cumprir o seu papel de informar, entreter e principalmente, de formar opinião. E uma opinião jamais conseguirá ser formada ou despertada por quem não a tem. É por esta razão que o rádio pede um comunicador que saiba interpretar corretamente os fatos, para que estes não gerem distorções.
Isto é notório em grandes rádios da capital. Ressalte-se aqui que uma rádio não precisa ser grande para gerar conteúdo de qualidade.
O interior também carece desse desenvolvimento sonoro e não somente se resumir a verdadeiros serviços de alto falantes com a única diferença de se ter uma frequência em quilohertz (Khz) ou megahertz (Mhz), destilando comentários jocosos, entrevistas que mais se assemelham a simples questionários, músicas popularescas, anúncio de pseudo utilidade pública como sumiço de cachorros, gatos, papagaios e outros bichos, além dos famosos beijinhos e abraços carinhosos de fulano para beltrano. Uma dica: o radialista que quiser fazer isso, que  crie um quadro para tais pieguices! Afinal, não dá para parar uma programação para dar esse tipo de recado, convenhamos...
Para não ficar só na crítica, é interessante fazermos um rádio novo, pensando em qualificar a audiência e os patrocinadores, pois são eles a principal fonte de receita de uma emissora.
Não dá para aceitarmos a desculpa de que ‘a cidade não ouve este tipo de programação e não entende essa linguagem’. O rádio é educativos e, como tal, sua assimilação se processa pela repetição. Então, se não se coloca nada de novo, a audiência com certeza, irá procurar alternativa.
Eis algumas dicas:
- o rádio deve ser tratado como uma empresa e não como um canal para diletantes ou de vaidosos que se servem dele apenas para benefício próprio;
- o rádio tem que evoluir para alcançar novas plateias: o uso das redes sociais, novas mídias (internet) e de promoções inteligentes (culturais até) desempenham um papel importante neste quesito;
- invenção de novos produtos: spots criativos, jingles cativantes, produções que vão ao encontro tanto do cliente como do anunciante. Os quadros específicos também auxiliam na propagação de assuntos que estão latentes à audiência: sustentabilidade (sem ecochatices), serviços (agenda cultural, utilidade pública), entrevistas aonde o entrevistado tem o que dizer e tem tempo para isso;
- convergência de mídias: que tal colocarmos o rádio para dialogar com jornais, canais de televisão, internet e com outros profissionais do mesmo segmento? Esse intercâmbio é enriquecedor e não só agrega valor aos veículos convergentes, como também injeta sangue novo na programação.
São atitudes como estas que podem profissionalizar o rádio do interior, tornando-o atraente e fazendo com que este deixe de ser o ‘primo pobre’ das tvs a cabo que proliferam a cada dia.
Landell ou Marconi, cada um à sua maneira, agradeceriam esse apreço à sua invenção.

É isso.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Marcelo Jeneci e a Nova MPB

Olá, pessoas!


Variando um pouco o tema mas sem sair do tom, agora o destaque é um artista nacional que vem despontando no cenário da chamada Nova MPB: Marcelo Jeneci.
Paulistano, nascido em uma Cohab lá pelos lados de Guaianases e filho de luthier, ele sempre se dedicou à música, aprendendo a tocar piano desde cedo.
Sua curiosidade, talvez despertada pela quantidade de instrumentos que seu pai consertava, levava-o a conhecer e experimentar vários outros timbres.
A oficina do Marcelo (pai) era frequentada por gente renomada da música, inclusive Dominguinhos que, certa vez, vendo o menino tentar tirar o som através de uns foles, resolveu lhe dar uma sanfona de presente. Foi o caminho para que ele fizesse participação numa turnê do cantor Chico César e depois enveredasse de vez pelo mundo da música.
Sempre pesquisando, Marcelo Jeneci se tornou cantor e compositor. Ganhador de vários prêmios, já teve em sua plateia gente do quilate de David Byrne (ex ou eterno Talking Heads?).
Marcelo Jeneci é um dos talentos que vale a pena conhecer...e ouvir.
É isso.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Lana Del Rey: um pseudo talento

Olá, pessoa!

Geralmente utilizo este blog só para tecer elogios a artistas que costumamos ouvir. Mas, ultimamente uma voz tem me causado até certa irritação devido a exposição, já que sua música ou forma de interpretar não são lá grande coisa.
Por isso, este blog vai falar hoje de um pseudo talento que estão tentando empurrar pelos nossos ouvidos: essa tal de Lana del Rey.
Vamos lá:

Poucos conhecerão Elizabeth Woolridge Grant, se ela não for chamada de Lana del Rey.
Lana, que já foi Lizzy Grant, é uma Intérprete, cantora e compositora, que mais desagrada do que agrada.
Suas músicas, com tonalidade new age repetitivo são quase a leitura de um diário adolescente. A voz, às vezes sussurrada, nada tem a ver com as cantoras que deseja imitar.

As primeiras apresentações em caráter promocional para  TV fizeram com que seus produtores cancelassem shows por acharem que ela não estava pronta para o mainstream. Mesmo assim, conseguiu alguma projeção dado o investimento dos principais agentes que, numa estratégia de marketing sem precedentes, querem lançá-la também no cinema. Todo esse esforço se dá depois de não terem conseguido êxito em substituir Adele ou a falecida Amy Winehouse - como pede o mercado fonográfico de tempos em tempos.

Enquanto não convence a crítica como cantora, Lana del Rey vai turbinando os lábio com botox, fazendo performances estáticas e tentando se inspirar na sua musa: a atriz Brigitte Bardot.
Lana del Rey não é tudo isso.


quinta-feira, 14 de junho de 2012

O experimentalismo mainstream do Fun.


Olá, pessoas!
Ao ouvirmos a banda Fun temos a sensação de que estamos diante de um musical, tal a extensão vocal e estilo empregados nas execuções.
O performático, embora discreto band leader Nate Ruess se utiliza de timbres apropriados e mostra a sua técnica ao cantar e também a criar formas de persuadir a plateia para sua mensagem.
A banda, formada em 2008, é composta por multi-instrumentistas que fogem da batidinha convencional do mundo pop colocando elementos percussivos que beiram o puro experimentalismo sem deixar de lado o mainstream.
Jack Antonoff se reveza nas guitarras e vocais enquanto Andrew Dost se esmera na percussão, teclados, pianos e no flugelhorn, um instrumento sinfônico que é apresentado ao pop com eficiência.
Este power trio é acompanhado de perto pelos também talentosos Nate Harold (baixista), Emily Moore (vocal de apoio, guitarra e teclados) e Will Noon na bateria.

Algumas notas:
O timbre um tanto nostálgico do Natt Ruess consegue fazer um mashup entre o novo e o antigo e suas músicas tendem a explorar ao máximo o seu agudo, por vezes nos remetendo a uma ideia de presenciar a um musical - apesar da tecitura vocal, Natt dificilmente apela para os vibratos, criando uma atmosfera apenas vistas em musicais da Broadway. A leveza das suas músicas anda a passos lentos até desembocar em guitarras pesadas e vocais bem elaborados que fazem contraponto com efeitos percussivos que podem beirar um tema de Olimpíada. (some nights)


Para acompanhar, acesse o site http://www.ournameisfun.com/

É isso.

domingo, 10 de junho de 2012

Pipoca e Amor Virtual


Olá, pessoas!

No livro "Manual do Amor - Encontre sua cara metade e Seja Feliz" a autora Cláudya Toledo em linhas gerais coloca que a falta de tempo faz com que cada vez mais pessoas recorram à internê para buscar uma pessoa que a complete e consequentemente a faça feliz.
Desconsidere-se aqui toda a análise feita por Carl Jung quanto a individuação, cujo sumário é 'seja completo antes de querer completar alguém' (sic).
Some-se à falta de tempo, uma questão muito difícil de ser esclarecida na cabeça de quem procura alguém para conviver: como conhecer o outro?
Com isso, sites de relacionamento especializados em serem cupidos disponibilizam todas as características, não só físicas como também emocionais e intelectuais do candidato ou pretendente. De posse dessas informações, basta clicar e começar a correspondência, primeiro online e depois presencial.
O mercado para este tipo de serviço atende a uma demanda crescente. Vale ressaltar que há um preço para tudo isso, afinal, não se ajuda alguém a ser feliz com intuitos apenas filantrópicos.
Tempos modernos? Novas formas de se relacionar?
Pois bem.
Não sou avesso de forma alguma à tecnologia, pois sou usuário de controle-remoto, smartphones, notebooks ou outras traquitanas tecnológicas, sou adepto do touch-screen e ainda sonho com um mundo wi-fi ou bluetooth (pois ainda equacionei por quê tenho que conectar 3 fios a um módulo para obter uma 'conexão sem fio') mas não sei se recorreria a tecnologia para encontrar alguém, pois acho que a questão do relacionamento não se resolve com um clique.
Afinal, não procuramos outra pessoa para nos relacionar no mundo real, compartilhar do nosso cotidiano, dividir com ela nossas forças, fraquezas, expectativas, sonhos?
Como é que vamos confiar aos meios tecnológicos uma tarefa tão particular, tão minuciosa quanto conhecer alguém para levar uma vida?
Sabe-se por pesquisas que todos nós temos uma preocupação com a preservação da autoimagem, ou seja: sempre nos pintamos bem diferente do que realmente somos. Então, quem garante que não vamos superestimar um perfil virtual, colocando qualidades que não temos ou tempo de que não dispomos para ter alguém a nosso lado?
Será que, ao comprar um perfil virtual para nos relacionar, não estamos perdendo a chance de conhecer o outro por completo, do jeito que ele realmente é?
E com relação ao tempo? Será que quando conseguirmos alguém (virtual) vamos arrumar também momentos para ficar junto desse alguém (real)?
Será que, ao adquirirmos um perfil via internê, que não nos satisfaça na vida real, não iremos voltar a clicar para conseguir outro alguém adequado? E o diálogo? Como é que fica nestas horas?
Me recordo que, tempos atrás, era moda 'ir morar com o outro para ver se ia dar certo'. Ocorria que, após este 'live-drive', muitos se decepcionavam e voltavam para o lugar de origem e se frustravam com esse tipo de atitude, afinal 'juntar escovas' não é tarefa para qualquer um. Quem se empreende numa empreita como estas, sabe que a liberdade consiste também em respeitar a liberdade do outro (citando Rosa Luxemburgo).
Nada nos muda tanto quanto a convivência.
Um relacionamento é feito de pessoas reais, com acontecimentos reais e com vivências reais.
Ao procurarmos 'a cara-metade' pela internê, corremos o risco de namorarmos, noivarmos, casarmos com um avatar que nada tem a ver com aquilo que realmente procuramos e esperamos encontrar para compartilhar bons e maus momentos.
Perfis virtuais costumam ser bem diferentes dos perfis reais...
Amor num clique pode dar certo sim, mas só se for na telona, que muitas vezes compartilhamos com uma pessoa real ao nosso lado comendo pipoca e tomando refrigerante.
É isso.